Ouvi uma música linda, porém desafinada. Me surpreendi ao ver que tamanha beleza poderia vir de uma música mal executada, e comecei a pensar que talvez aí morasse sua magia. Aquela música apelava para o sentimento de uma maneira que é rara de se ver. Talvez seja porque ao ouvi-la possamos sentir uma pessoa de verdade por trás dela, possamos perceber um alguem que, assim como todos nós, erra; que não consegue ser perfeito.
Parecia uma música executada por uma criança que, em sua inocência, via que não estava tocando do jeito “certo”, mas continuava a faze-lo sabendo que estava dando o melhor de si. Aquela criança tocava com a alma, diferente de tantos adultos que tocam apenas com suas técnicas. Ela sabia que estava se esforçando, e isso bastava.
No fundo todos nós somos desafinados. Afinação é um objetivo buscado por todos os tipos músicos, mas que ninguém consegue alcançar totalmente. É como a perfeição em qualquer aspecto de nossas vidas: podemos viver buscando por ela, mas ela sempre vai escapar de nós.
Todos, os músicos e nós, buscamos a perfeição, mas nos esquecemos que ela não pode ser alcançada. Pior de tudo: ignoramos todas as coisas belas e imperfeitas que fazem parte de nossas vidas. É provável que na imperfeição também more a beleza.
Mas os outros querem que sejamos perfeitos; e como músicos desafinados nós somos repreendidos ao deixar transparecer nossas falhas. É triste que alguns músicos desistam de tocar por desafinarem em alguns momentos. Também é triste que algumas pessoas passem a desistir de tentar só para evitar erros. Temos que aprender com aquela criança. Ela tocou algo tão errado e tão belo. Imagino que nossas vidas também possam ser assim. Sejamos como essa criança, que sem medo de errar fez o melhor de si, e sem temer as críticas conseguiu ser diferente.
Muito bom Cunha!
ResponderExcluirTalento incubado hein!?
Sabia que vc era inteligente, que estuda ciências humanas, não sabia dos dons literários...
Real o texto! Gostei!
Abraço!
Neto
brigado neto.
ResponderExcluirq bom q vc gostou!
abração