segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Vazio Externo

Sofro de um vazio externo. Diferente de quem sofre do outro, o interno, o meu é muito maior, pois se expande para além de mim. Sinto-o, principalmente, quando fecho os olhos, normalmente à noite, geralmente quando estou sozinho.

É uma sensação difícil de explicar. É como se meu corpo fosse diminuindo e, de certa forma, se distanciando de meu pensamento, e todas as coisas materiais fossem ficando distantes também, e entre eu e elas restasse apenas um imenso vazio no qual permaneço estático: só eu, corpo e pensamento, minimizado, flutuando numa imensidão vazia.

E é uma agonia tão grande, quase como num velho pesadelo de minha infância, no qual eu apenas ouvia o silêncio de minha casa e seu contraste com o excessivo ruído da torneira do banheiro pingando, o que era um barulho angustiante num silêncio quase ensurdecedor, o que me deixava aflito, muito mais do que os sonhos com bruxas e com monstros. Talvez, também, seja como a agonia de uma vez que eu delirei de febre, e as paredes ao meu redor pareciam se mover o tempo todo, e nada parecia ser real...

Acho que ele é externo porque não caberia dentro de mim, sou pequeno demais pra isso. Quem sabe seja assustador justamente porque me separa de todo o mundo, e me deixa ali indefeso, a sós comigo mesmo, e com minhas bruxas e meus monstros esquecidos.

Pelo menos, quando ele vem, meu interior não fica vago; é justamente esse o momento de minhas maiores reflexões. E se é tão assustador, eu o enfrento. Ele me ajuda a olhar melhor para tudo do que estou cheio por dentro... Mas é surreal, com certeza, e me pega de surpresa toda vez, porém só acontece de vez em quando. Dessa vez aproveitei pra escrever.

Ainda bem que meu vazio não é interno.

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