Os anos passados pareciam tão mais cheios de sentido, mesmo que do sentido de aprender. Agora, eu não sei nada, e ajo como se tivesse conhecido tudo, e tudo parece tão vazio. Minha cabeça, cheia de nada que interessa, pesa; já nem tem mais tempo pra sonhar. Todo dia é tudo tão igual, e tudo se iguala ao fim das contas. E as pessoas são ainda mais cheias de tudo o que não é, e resta a ideia vaga de um passado no qual até o igual era diferente pra mim; e até a dor era doce, porque eu a sentia bem ali onde tudo apertava quando eu via ela passar.
Agora o que aperta é uma vontade de sonhar de novo que dói como as saudades de alguem que te deixou. Esquecida, como as letras das músicas que nunca compus e que me esperam ali na ultima gaveta. Se pelo menos elas me fizessem acreditar que tudo isso valeu a pena... Quem sabe eu só tenha que ir lá na ultima gaveta de minha alma, e reviver todos os sonhos que eu deixei de viver... Mas os sonhos do passado estão velhos demais para o presente, e o presente de meus sonhos não realizados foi uma vida toda guardada bem ali, junto de minhas músicas. E o que eu desaprendi com meus erros foi muito.
Errar só me ensinou que errar é possível, fora isso eu desaprendi a falhar, mas pela forma mais dura, sacrificando também os acertos. Mentira. No fundo nem acredito nisso. Em algum lugar, no mais intocado de meu pensamento, eu imagino morar uma lição que dê sentido ao sofrimento sentido, que torna minha vida, hoje, vazia, e me enche de medo a cada vez que minha insônia é despertada. Acredito, no fundo, ter aprendido qualquer coisa útil que um dia vai me guiar, me tirando desse lugar algum no qual me encontro e me levando, finalmente, a algum lugar.
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