Ele escrevia com a
esperança de que aquilo o fizesse bem. Queria tirar as dores do peito,
como quem espreme uma espinha. Mas você sabe, existem coisas que é
melhor não mexer. Era um labirinto gigante. Aparentemente sem saída.
Era o mais genial dos seres no mais estúpido dos mundos; ou talvez o
contrário. O que sabia era que não se encaixava. Todos os seres
eram tão inseguros, do chão até a poeira que lhes cobria o
pensamento; dos pés até a alma, sufocada pela falta de alma de
todos os outros.
Ele era o único
indivíduo que existia de verdade. Só ele sofria, sentia na pele.
Todo o resto era parte de um coletivo assustador. O indivíduo era
insomável, mas era divisível; saía perdendo as metades pelas
esquinas até que virou a metade perdida, deixada na calçada, à
espera de um sonho que lhe abrisse a porta, como um bebê abandonado à espera da mãe adotiva. Mas essa metade sofria de
insônia e tinha perdido a fé em sonhos, principalmente nesses que
se escondem atrás de paredes.
Só havia um sonho que
ele queria sonhar, um que morava na distância, e que ele poderia
fazê-lo acordado, caçando estrela cadente, algo perfeito, distante
e inatingível, mas algo doce e apertado como o interior do abraço
que ele mais sonhou em receber e que hoje mora no quase impossível. Sobravam essas cinzas de um sonho
morto que brilhavam mais do que qualquer realidade; sonho morto que
você guarda no bolso e não sofre com o perigo de ele te engolir.
Sonho domado de um coração que era selvagem, já foi perdido e hoje
só quer combustível pra beber; pra continuar batendo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário